Fake News: você já caiu nessa?

Artigo de Karin Verzbikas para o Jornal Imagem da Ilha

Lula foi preso, Roberto Carlos morreu, Anita é amante do Luciano Huck, Donald Trump bombardeou a Coreia do Norte. Atire o primeiro post quem nunca foi vítima de uma mentira digital! Até aí, convenhamos, bem normal para os dias de hoje. O grande problema é que muitas vezes não nos contentamos em receber a informação falsa e nos restringir a acreditar momentaneamente nela. Sem checar a veracidade, compartilhamos também. E essa impulsividade, bem própria do ser humano que tem a necessidade de mostrar que sabe de tudo antes dos outros, é o combustível que abastece a grande fábrica das chamadas fake news mundo afora.

Notícias de cunho político são as preferidas. A prova está num levantamento, que acaba de ser divulgado, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas da USP – Universidade de São Paulo – que monitora 500 perfis com político falso e que revela que nada menos que 12 milhões de pessoas difundem notícias falsas sobre política somente no Brasil. Se cada uma dessas pessoas tiver 200 seguidores, pode-se dizer que praticamente toda a população brasileira é vítima de fake news. E este é o cenário estabelecido para receber no colo o ano eleitoral do próximo ano, com o risco seríssimo dos sites e perfis falsos dominarem mais do que nunca as discussões políticas.

O prognóstico é reforçado por exemplos quase que diários na rede. Recentemente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de uma fake news que dizia que o petista havia sido expulso de um restaurante em Natal. Naquele dia – gostem dele ou não, isso não vem ao caso – Lula estava em Pernambuco na caravana pelo Nordeste. A notícia falsa teve quase 15 milhões de compartilhamentos, comentários e outras interações no Twitter.

Essa onda devastadora da credibilidade nas redes sociais, ao contrário de colocar em cheque o trabalho jornalístico, criou um movimento de valorização dos veículos de comunicação tradicionais e reconhecidos pela opinião pública.  Em outubro, uma pesquisa divulgada pela consultoria Kantar, feita em quatro países (Reino Unido, Estados Unidos, França e Brasil) revelou que 44% do universo de 8 mil pessoas ouvidas acreditam que se informar por sites de veículos de comunicação conhecidos e tradicionais é a melhor forma de se combater as mentiras digitais. Um verdadeiro presente para aqueles empresários do segmento que ao longo das últimas décadas primaram pela produção de informação diária, ainda que nem tanto com a imparcialidade que gostaríamos.

Pontos de atenção: nessa mesma pesquisa da Kantar, três em quatro pessoas consideram que a democracia depende do jornalismo acurado, enquanto que 61% temem que os veículos estejam ficando menos críticos em relação a jornalistas e a empresas. E pasmem: apenas 56% consideram que as informações que recebem sejam verdadeiras.

Mas a boa notícia é que – e não estou sendo imparcial nisso porque sou jornalista e defendo que o melhor remédio para uma sociedade consciente é ter acesso a uma imprensa livre e comprometida com a verdade – a pesquisa reforça o papel da mídia impressa. “Percebe-se que a audiência continua acreditando fortemente que jornalismo de qualidade é fundamental para uma democracia saudável”, diz a Kantar no Estudo “Trust in News”.

Ou seja, caros leitores que até aqui chegaram nesse texto complexo e segmentado: não existe almoço grátis! Se você quer ter acesso à notícia crível, real e bem analisada, acesse os canais estabelecidos e esqueça a vida boa e fácil dos fake news.

FAÇA VOCÊ MESMO

Agora, dicas rápidas, do tipo “faça você mesmo”, se quiser fugir do rótulo de divulgador de “fake news”, deixo aqui os ensinamentos do coach Leo Schreier, que é Gestor de Carreira de Influenciadores Digitais:

1) Não compartilhe se você não leu: Um dos maiores problemas da velocidade da informação é as pessoas se informarem por manchetes, sem ao menos ler a notícia. Não tire conclusões precipitadas e nem dissemine uma informação que você não leu.

2) Desconfie sempre de uma notícia relevante: Grande parte dos veículos tem o objetivo de influenciar o leitor com parcialidade. Ao se deparar com uma notícia falsa, observe atentamente a manchete. Normalmente as manchetes não vêm com pontos de exclamação ou escritas em maiúsculos para chamar atenção.

3) Preste atenção na URL: É muito comum vermos a URL semelhante aos veículos de credibilidade, como por exemplo bbc.co no lugar de bbc.com. Por isso, compare sempre a URL com o site original.

4) Cuidado com o Clickbait: Outra prática muito comum de sites falsos, é aliar uma manchete sensacionalista com uma imagem que chamem atenção para ter o seu clique. Esses sites normalmente querem obter ganhos com publicidade através do seu clique.

5) Observe a fonte: Uma notícia real estará sempre em um veículo com credibilidade. Busque a mesma notícia em sites confiáveis, principalmente se for uma notícia relacionada à política.

6) “Repassem para todos os grupos”: Sabe aquelas notícias bombásticas sem link que você recebe nos grupos de família do WhatsApp? Todas são falsas. E mesmo que tenham links, pesquise a fonte.

7) Fique atento com a data da notícia: A notícia até pode ser verdadeira, mas o que é uma notícia verdadeira fora de contexto? Esse é um dos erros mais comuns.

8) Você não precisa opinar sobre tudo: É muita gente emitindo opinião sem o mínimo de conhecimento do que realmente está acontecendo. O problema das redes sociais é isso: todo mundo se sente na obrigação de opinar sobre tudo para ter curtidas e se sentirem relevantes e com isso acabam compartilhando informações falsas para gerar engajamento.

9) Influenciador Digital não tem o papel de formar opinião: Não forme sua opinião através do vídeo, meme ou texto de um Influenciador Digital. O Influenciador Digital é uma peça fundamental para o entretenimento, mas no jornalismo funcionam como segunda tela. Normalmente eles vão comentar a notícia e não noticiar. Por isso se informe antes de ter uma opinião.

10) Tenha responsabilidade: Muitas pessoas compartilham algo simplesmente pelo desejo de que seja verdade. É preciso bom senso. A credibilidade é um poder ao alcance de todos, mas são poucos que conseguem.

Karin Verzbickas é jornalista e diretora executiva da Fábrica de Comunicação.

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