sem medo de ousar

Sem medo de ousar

Há quem pense que o termo disrupção é coisa nova. Não é. O americano Clayton Christensen, um guru de Harvard, começou a usá-lo em 1995. E até hoje ainda estamos tentando explicar para nós mesmos como ela vem transformando a forma como nos comunicamos, vivemos e fazemos negócios. Vou mais além: a disrupção mudou até mesmo a forma como pensamos, mexeu na estrutura do nosso raciocínio com o mesmo furor que, por meio da tecnologia, criou novos paradigmas na forma de consumirmos serviços e nos relacionarmos.

Ser disruptivo significa romper, causar fissuras profundas, subverter, quebrar de um jeito que não cola mais. E é justamente a isso que viemos assistindo e participando ativamente nas últimas décadas com a derrocada de negócios tradicionais, de empresas consolidadas, de certezas absolutas. A disrupção causa um mal estar a muitos ambientes de negócios estabelecidos porque não poupa aquele que insistir em ficar no passado. Ela arrasa mercados, provoca desemprego num primeiro momento, causa mal estar geral e social, constrangimentos necessários. Porque vem para estabelecer uma nova ordem, lançando algo mais eficiente, mais barato, mais direto, mais simples de se fazer. Desde que haja tecnologia, inovação, criatividade e, claro, comunicação capaz de dar conta de difundir todo o novo conceito, de seduzir usuários, de fazer “a coisa pegar”.

Não estou exagerando. Um case clássico dos clássicos é o da Kodak, a maior companhia de fotografia do mundo, com mais de 100 mil empregados. Faliu em 2012 e ainda tenta se reinventar com quase nenhum sucesso. A tecnologia também varreu do mapa muitos outros segmentos da economia hoje ocupados pelo Uber, Netflix, Apple, Google, WhatsApp, Airbnb, NuBank e tantas outras soluções só possíveis neste mundo multitela e hiperconectado com quase 4 bilhões de pessoas. Se hoje os taxistas convencionais perderam a majestade, se as locadoras de vídeo são coisas que já temos que explicar para os nossos filhos ou se alugamos carro, adotamos cachorro e pedimos o jantar com um toque de dedos, é porque existe uma única explicação: os processos ficaram mais simples, mais rápidos, com maior alcance, flexíveis e mais baratos. Não fosse isso, não migraríamos tão cega e massivamente para um mundo desconhecido.

Da mesma forma, investidores não apostariam em startups nem modernizariam companhias antigas. Investem porque sabem que se não fizerem existem apenas dois caminhos: ou serem exterminadas ou não lucrarem mais tanto quanto antes. Segundo levantamento do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), as empresas consideradas “Mestres em Transformação Digital” são, em média, 26% mais lucrativas. Já dados da IDC mostram que 60% dos investimentos das organizações até 2020 serão direcionados às transformações digitais.

Mas ainda acredito que o caso mais interessante de disrupção é quando ocorre a auto-disrupção. Ou seja, quando uma empresa convencional se auto-boicota, ela praticamente se suicida na forma como vem historicamente fazendo seus negócios e lança um jeito novo de fazer, muitas vezes prejudicando ou acabando de vez com todo o segmento a que ela antes pertencia.
No século passado, chamávamos estes empresários de visionários, agora são disruptivos. Um exemplo de auto-disrupção, bem pertinho da gente aqui mesmo em Florianópolis está para acontecer no mercado imobiliário. Um empresário fundador de uma das mais antigas imobiliárias da capital catarinense, a Directa Imóveis, que por décadas liderou as vendas do mercado de luxo, agora acaba de anunciar que se associou com uma empresa de tecnologia também manezinha, a Shift Code, para lançar um novo paradigma na comercialização de imóveis, sem corretores, sem taxas de comissão ou corretagem. Tiro no pé ou disrupção corajosa? A solução web atende pelo nome de Entre.casa e pode ter começado a revolução em mais um segmento da nossa economia. Vamos acompanhar!

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Karin Verzbickas

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