Sorria, você está sendo roubado!

Artigo de Karin Verzbikas para o Jornal Imagem da Ilha.

É uma verdadeira tentação, poucos conseguem resistir. Aqueles testes no Facebook do tipo “como você seria se fosse do sexo oposto”, “quem é sua amiga de verdade” ou ainda “qual celebridade se parece com você” são uma verdadeira febre nas redes sociais. Isto porque a curiosidade e a vaidade associadas são imbatíveis mesmo quando há o alerta de que esses testes escondem o real objetivo de toda a trama do crime perfeito: capturar seus dados pessoais e com sua total anuência.

Esta armadilha digital é uma versão amigável do que os hackers costumam chamar de “phishing”, prática utilizada no cibercrime para roubar dados em massa. O termo phishing vem do inglês “fishing”, que significa “pescaria”, e define justamente o que fazem conosco toda vez que fazemos download de um arquivo infectado ou quando aceitamos brincar com os tais testes bonitinhos das redes sociais. Ou seja, eles lançam as iscas e esperam pela nossa mordida.

A diferença entre os dois está no produto roubado. No caso do “phishing” com links falsos e arquivos contaminados, o malware funciona para subtrair dados geralmente para crimes financeiros: senhas de banco, números de CPF e de contas, movimentações diárias e aplicações. Já no caso dos apps de testes de Facebook, o produto do roubo é, digamos assim, mais inocente num primeiro momento: nome completo, idade e data de nascimento, endereço, e-mail, lista de amigos, foto de perfil – e todas as outras que estiverem nos álbuns.

O fato é que, mesmo sendo aparentemente de menor gravidade, a captura de dados pelos testes pode incluir padrões de comportamento que mostram suas preferências políticas, o amor que sente pelo animal de estimação, os sites que costuma visitar na internet, a escola que frequentam os filhos, o tempo que passa diariamente na internet, quem são seus amigos e seus algozes, e daí por diante. Enfim, informações capazes de construir um verdadeiro dossiê a seu respeito e que pode ter os mais diversos e perversos usos. Coisa, dizem os conspiradores de plantão, que vão bem além do fim publicitário.

Mas é bom que fique claro que esse é um mal opcional, um risco que se aventura a correr quem quer e concorda com as regras. Toda vez que você aceita o convite de um desses apps – os últimos foram desenvolvidos pela startup russa FaceApp e divulgado por sites como Kueez e Viralemon – há um aceite que você obrigatoriamente precisa fazer e que permite a coisa toda. E a maioria passa por essa fase sem nem perceber, clicando automaticamente em teclas como “avançar” por pura preguiça de ler os termos.

Aliás, esse desprendimento merece um estudo acadêmico. Uma pesquisa realizada pela Universidade Stanford, e publicada pela Revista Superinteressante, aponta que 97% dos usuários de redes sociais em todo o mundo clicam em “concordo” sem de fato ter lido os termos de uso e política de privacidade dos aplicativos. Aí não vale reclamar depois! Nem mesmo com o Facebook, que, aliás, vem sendo acusado de se omitir nesses casos dos apps de testes e, mais do que isso, de se beneficiar financeiramente dos ataques à privacidade dos seus usuários.

“Mas já fiz o teste. E agora?” Sem pavor! Para quase tudo na vida há volta e nesse caso há uma chance, pequena, de reversão. Quem já participou da brincadeira e se arrependeu é possível excluir todas as permissões concedidas ao aplicativo pelas “Configurações de aplicativos” do Facebook. Mas isso não garante que a empresa já tenha armazenado suas informações em um banco de dados.

Veja a seguir três dicas para manter o Facebook livre de perigos:

1. Remova os aplicativos

Acesse sua conta do Facebook, clique em “Configurações”, “Privacidade” e verifique todos os aplicativos instalados. Se perceber algum estranho, remova-o imediatamente. Para isto, basta clicar no “x” do lado direito dos apps.

2. Remova as extensões e plugins

Outra maneira de ser infectado por vírus no Facebook é a partir de extensões e plugins no navegador. Verifique se existe alguma extensão que você não conhece e a desative imediatamente (se houver algum, ele estará na mesma área de configuração dos aplicativos).

3. Opções de segurança

Acesse “Configurações”, “Segurança” e deixe sua conta ainda mais protegida com senhas extras, notificações no celular e e-mail, para caso alguém invadir o seu perfil por meio de um dispositivo ou navegador desconhecido do seu.

Karin Verzbickas é jornalista e diretora executiva da Fábrica de Comunicação.

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