Etiqueta eleição

Etiqueta nas redes sociais em tempos de eleição

Sua timeline anda arisca por causa da eleição? Sobra desaforo e falta conteúdo? Não aguenta mais as baixarias das torcidas raivosas dos candidatos? Veja como melhorar esse triste cenário e como a mudança pode também partir de você

Estamos às vésperas das eleições 2018 e o bate-boca digital vai atingindo seu pico na mesma proporção que a temperatura da campanha chega no mais alto grau de ebulição. Neste momento, é comum faltar o bom senso e aquele respeito mais básico com os amigos virtuais, seja lá qual seja a inclinação política ou sigla partidária dos envolvidos. A falta de elegância é democrática. Os ânimos se exaltam, a razão está com todos, a paciência com ninguém. Um jogo perigoso em que quem perde mesmo é a nossa frágil democracia, além, é claro, da nossa saúde mental.

Novas pesquisas já mostram que as redes sociais estão piorando a qualidade de vida mental dos homosapiens. Cientistas apontam pelo menos seis síndromes que possuem relação direta com o uso diário de aplicativos como Facebook e Instagram. Segura essa: Namophobia (medo de ficar sem uma conexão móvel), Síndrome do Toque Fantasma (sensação de que o celular está vibrando no bolso ou ouvir tocá-lo o tempo todo), Náusea Digital ou Cybersickness (vertigem causada pelo excesso de vídeos, boomerangs, efeitos 3D, gifs e sites em flash), Efeito Google (desmemorização de fatos históricos e dados gerais, já que existe o Google), Cibercondria ou Hipercondria Digital (tendência que o usuário compulsivo desenvolve por acreditar que tem todas as doenças sobre as quais leu na internet). Ou seja, estamos ficando loucos, literalmente, e sem qualquer licença poética aqui.

Um dos atenuantes para as síndromes pode estar justamente na aplicação de alguns códigos de conduta. O seu comportamento dita o do outro, modifica a dinâmica estabelecida. Não estamos falando de legislação e nem de permissões ou proibições legais, mas de normas sociais que melhorem as relações na rede e possam, de forma colaborativa e solidária, inibir o aparecimento de novas síndromes e até apaziguar as já existentes. E, em tempos de eleições, como agora nos encontramos, há que se estabelecer alguns procedimentos de bom convívio na rede. Vamos a eles:

Para você, eleitor:

Não compartilhe Fake News. Se você receber algo duvidoso, pesquise antes de ajudar na disseminação destrutiva da imagem de candidatos e seus aliados.

Economize opiniões. Todos as temos, muitas e para todos os assuntos, mas nem por isso temos que torná-las públicas.

Evite comprar brigas digitais. Você não sabe exatamente quem está apoiando o outro lado, pode ser o seu chefe, seu vizinho, sua mãe…

O ambiente digital não é o mais indicado para demonstrar aproximações com candidatos que, na vida real, você nunca teve qualquer vivência. Soa falso.

Ninguém é obrigado a declarar o voto nas redes sociais. O voto é secreto por lei e assim deve ser mantido, se for da sua vontade. Não ceda a pressões.

O candidato que você escolher diz muito sobre você e seus valores. Pense muito antes de revelar.

As organizações das quais você faz parte – escola, trabalho, clube, etc. – nem sempre estão abertas a discussões ideológicas ou partidárias. Tudo o que você disser – ou teclar – pode ser usado contra você.

Xingar, devolver acusações, levantar falso testemunho, denegrir pessoas, agredir moral e verbalmente alguém ou alguma instituição. Nada justifica a crise que você terá que administrar depois.

Para você, candidato:

Contrate uma empresa idônea e especializada na área de comunicação digital, e, principalmente, que não coadune com o marketing lesivo das Fake News.

Internet tem um arquivo eterno. Tudo o que você publicou um dia, mesmo que você ache que foi apagado, pode vir à tona a qualquer momento. Cuidado!

O eleitor não é burro. Até pode ser manipulável. Mas essa é uma condição que não vai durar para sempre. Seja transparente!

Se você não der o tom, seus seguidores e aliados darão por eles mesmos. Seja claro com aqueles que são fiéis a você sobre qual caminho e estilo quer seguir nas redes sociais.

Não se deixe levar pela impulsividade. Um momento ruim ou um dia difícil podem fazê-lo externar pensamentos que não traduzem o seu conceito. Mantenha-se longe das redes sociais nestas situações.

O período eleitoral é curto. A vida de um político é longa, quando bem administrada. Evite cometer gafes digitais que poderão ser fatais ou definitivas.

Quem verdadeiramente assume compromissos diante da sociedade, faz sem medo de ser julgado. Exponha suas ideias de forma clara, direta, objetiva e sincera. O eleitor saberá exatamente o que está comprando.

Que o equilíbrio, a transparência e a elegância sejam nossos aliados. Só assim, refletindo antes de cada gesto e medindo as consequências de uma atitude impensada, é que podemos gerar um ambiente digital salutar para o debate nestas eleições. Em suma, tecle com a mesma rigidez da educação dada a uma donzela inglesa e aristocrática do século passado e seja tão exigente nas suas escolhas como se estivesse elegendo os próximos legislativos estaduais e federais, quiçá o governador e ainda o presidente da República. Quiçá…

Artigo de Karin Verzbikas para o Jornal Imagem da Ilha.

Karin Verzbickas é jornalista e diretora executiva da Fábrica de Comunicação.

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