Pre-pa-ra!

Fuja dos micos ao fazer uma apresentação pública guiada por slides!

Atire o primeiro slide quem nunca se entediou com uma apresentação chata no PowerPoint! Conteúdos longos, nada atraentes, apresentador nervoso ou desmotivado, e você olha para o cantinho da tela projetada e vê que só se passaram 16 dos 64 slides que serão apresentados. Quem nunca? O fato é que nem sempre as pessoas utilizam a ferramenta – seja o PowerPoint ou outras mais dinâmicas como o Prezi – de forma adequada. Infeliz e inevitavelmente conseguem fazer da sua aula, palestra ou apresentação de trabalho um verdadeiro martírio para quem assiste.

A boa notícia é que, investigando os erros cometidos por quem já derrapou feio na apresentação, fica fácil tirar de letra o próximo evento em que você estará no lugar do apresentador. É só analisar. Entre os principais deslizes, figura como campeão o fato de se ignorar o perfil de com quem se está falando. Parece básico, mas a maioria não estuda previamente qual é a característica do público que vai receber a informação. São para leigos ou experts no assunto que vou apresentar? É um público jovem ou mais veterano?Estão interessados no tema que vou abordar ou terei que convencê-los? Formam um grupo disruptivo ou conservador? Saber responder estas questões pode transformar completamente o conteúdo e a forma da sua apresentação. Isto porque haverá um esforço planejado de se conectar mais eficientemente com o grupo com o objetivo de gerar interesse e, consequentemente, engajamento. E quem não quer isso tudo?

Mas há outras questões relevantes que devem ser levadas em consideração na hora de você formatar sua apresentação. Bora lá ver algumas?

1) Menos é mais – Pergunte-se se aqueles 60 slides que você criou não poderiam ser transformados em 30. Concentrar o filé mignon da informação e abortar os detalhes que ninguém quer saber vai dar mais ritmo e atratividade para a sua apresentação.

2) Não leia seu slide – PowerPoint não é bengala. Todo mundo sabe ler, ninguém precisa que você repita verbalmente o que já está no telão. Fica entediante. Supere o limite do entendimento na informação escrita, analise-a, traga um ingrediente novo que só você saiba.

3) Planeje onde quer chegar – Antes de começar a inserir informações nos slides, faça um roteiro. Comece pelo fim, com a mensagem/conceito final que deverá ser passado, e venha de trás pra frente construindo o raciocínio.

4) Pouco texto – Seja o mais conciso possível. O slide ideal não tem mais do que dez palavras. Ideal também é que você não utilize frases inteiras, mas sim palavras soltas que te orientem no desenvolvimento da ideia.

5) Tão enxergando? – Pouco texto também vai evitar que você use uma fonte muito pequena, que dificulte a leitura. A regra é nunca usar um corpo inferior a 30pt. E, preferencialmente, opte por uma fonte sem serifa.

6) Ora, bullets! – O nível de chatice de uma apresentação pode ser medido também pela quantidade de marcadores – os chamados bullets. Quem disse que todo slide precisa ter bolinhas, setinhas, asteriscos, emojicons e quadradinhos?

7) Trem das cores – Se você estiver representando uma empresa, é importante que o design siga as diretrizes do manual da marca. Todas têm uma cor principal e uma secundária ao menos, quando não tem uma paleta pré-definida. Fique aí. Não invente moda.

8) Contraste – Mas se você tem liberdade para escolher as cores que quiser, opte sempre pelo contraste: fundo claro com letra escura, fundo escuro com letra clara. E de preferência use as cores básicas, que garantem uma definição maior.

9) Carnaval já passou – Não faça da sua apresentação um carro alegórico, cheio de animações loucas, só porque a ferramenta lhe dá mil oportunidades de movimento. Tudo que é demasiado cansa. E pior, as pessoas vão prestar atenção só nisso e absorver pouco do conteúdo.

10) Números – Tabelas e gráficos são muito bem-vindos porque quebram o texto, trazem um elemento novo. O único cuidado é para que eles tenham uma boa definição, sejam bem desenhados. Não tem nada mais feio que uma tabela de Excel corpo 6 colada num slide…

11) Fotos – Usar imagens manjadíssimas de bancos free é o mesmo que jogar seu conteúdo no lixo. Procure por fotos exclusivas ou originais e que estejam imprescindivelmente alinhadas com o assunto do slide.

12) Vídeos – Em primeiro lugar, precisam ser curtos. Ninguém quer abrir uma sessão de cinema no meio da apresentação. Segundo ponto, precisam ter resolução e sistema de áudio compatível com o equipamento de exibição. Senão, o mico é certo.

13) Wi-fi – Mais comum que político sendo acusado de corrupção é ver o link que não abre e o vídeo que não roda. Antes de tudo, verifique se o local da exibição tem wi-fi de qualidade. Quando esse problema acontece, geralmente o apresentador perde o rebolado e a apresentação o ritmo.

14) 1,2,3… testando! – Chegue sempre antes de todo mundo chegar. Ligue o equipamento, repasse toda a sua apresentação, verifique se tudo está conectado, se nada ficou desconfigurado, confira tudo.

15) Yes, You Can – Você, o apresentador, precisa ser a pessoa mais entusiasmada da sala. Sua empolgação, domínio e paixão pelo assunto é que vão manter a plateia plugada. Mesmo que você esteja fazendo aquela mesma apresentação pela centésima vez, ela precisa parecer inédita e única.

Outra dica é não abusar do “corporativês”. Veja mais aqui.

Para finalizar, e como ativista permanente do bom português, fica a última dica: verifique se não ficou pra trás um erro de digitação, de ortografia, de concordância. O que parece só um detalhe e sem relevância pode derrubar de uma hora para outra toda a sua credibilidade ou, pior, colocar em dúvida o real domínio que você tem sobre aquele assunto. Boa apresentação!

Karin Verzbickas | Jornalista e diretora executiva da Fábrica de Comunicação

 

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