Você fala. Mas, as pessoas te escutam?

Saiba como exercitar sua comunicação interpessoal com eficiência

Pouco ou de nada adianta você falar, falar e falar e descobrir que a sua mensagem não está chegando de forma clara, ou nas pessoas certas, ou errando no tom. Às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. Lembra daquela brincadeira de criança, o telefone sem fio? Geralmente alguém lançava uma frase, que ia sendo repetida um a um ao pé do ouvido e, quando chegava à outra ponta, estava completamente distorcida.

A comunicação interpessoal, ou seja, aquela que você trava entre duas ou mais pessoas, é uma das atividades humanas mais complexas. Isto porque quem lança a informação, teoricamente chamado de “emissor”, nem sempre está na mesma sintonia que o “receptor”, aquele que recebe a mensagem. Nós humanos, definidos assim pela nossa capacidade diferenciada de comunicação, somos na verdade pessoas com culturas diferentes, históricos variados, línguas e linguagens inúmeras. Também temos humores, interesses e vontades diversas. Tudo isso faz da comunicação interpessoal um desafio diário, um treinamento permanente, mesmo para quem acha que já nasceu comunicador.

Ou vai dizer que você sempre foi 100% compreendido? Que nunca disse uma coisa e foi entendida outra? Que aquele e-mail que você achava tão simples virou um problema quando bateu na outra ponta? Vamos combinar que essa nossa generalizada falta de capacidade de comunicação vem custando caro para a humanidade: conflitos, guerras, divórcios, desencontros, inimizades… tudo pode ter começado com um simples “probleminha” de comunicação.

Então, meu conselho: não ignore e nem duvide da capacidade destrutiva de uma mensagem mal elaborada – seja verbal, escrita, corporal. Preste atenção na sua mensagem, no seu gestual, na abrangência daquilo que está comunicando e, principalmente, meça as consequências. Afinal, num erro de comunicação o melhor cenário é aquele em que as pessoas não te escutam. Acredite. Até porque problema mesmo, dos grandes, é quando te ouvem errado! E já te adianto: a culpa sempre será sua! Por isso, é sempre bom seguir alguns caminhos para evitar o ruído e construir uma comunicação saudável:

1) Com quem eu estou falando? Comunicar-se de forma eficiente depende – e muito – da linguagem adotada. É preciso saber com quem você está se comunicando para se expressar de acordo com cada público alvo. É preciso colocar-se no lugar da pessoa que vai receber a informação. Assim você terá a melhor fórmula para entrar em sintonia com o outro e fazer-se entender.

2) Você acredita em mim? Ter domínio do assunto que está abordando – seja numa palestra para empresários do Vale do Silício ou numa roda de chope entre amigos – é o que vai transmitir a credibilidade necessária e implícita para que você seja ouvido, entendido e acreditado.

3) Tudo que vai, volta! – Comunicação é uma via de mão dupla. Saber ouvir é mais importante do que repetir um milhão de vezes o mesmo mantra. Dê importância ao seu interlocutor, ouça o que ele tem a dizer. Só assim, entendendo o raciocínio do outro, é que você poderá encontrar a melhor forma de convencê-lo com seus argumentos.

4) Seu corpo fala – Muito cuidado para não se trair. O que você verbaliza precisa estar em sintonia com o seu gestual, para que você não perca credibilidade. Boas notícias não podem ser dadas com caras carrancudas. Tragédias não podem ser anunciadas com sorrisos largos. Outras posturas como gesticular demais, bater o pé ou a perna repetidamente, tirar e colocar os óculos e falar demasiadamente também desacreditam o conteúdo verbal.

5) Menos é mais – Ter um vocabulário rico é ótimo e é um desafio a ser perseguido por todos. Mas nem sempre utilizar palavras rebuscadas é sinal de cultura. Inteligente é ser claro, objetivo, fazer-se entender da forma mais simples e direta possível. Fale menos, faça-se entender mais.

Portanto, esteja onde estiver, falando com quem for, dê sempre muita atenção à forma que a comunicação está sendo estabelecida. Esteja lá de verdade, ouça com vontade, fale de forma estratégica, inteligente, clara e direta. Os resultados certamente virão. Bons papos por aí!

Karin Verzbickas, jornalista e diretora executiva da Fábrica de Comunicação

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